CALEIDOSCÓPIO PEDIÁTRICO

Maria,

Maria, 

Existe alguns pacientes que nos desafiam, que nos instigam a sermos melhores a cada dia e buscarmos as mais atualizadas informações.

Escolhi ser pediatra e sei que junto disso vem a responsabilidade de nunca parar de estudar, de nunca se contentar com as notícias superficiais e muito menos com a fala de "não tem mais tratamento para essa doença".

 

Tudo isso da trabalho sim, demanda tempo, mexe com nossos sentimentos e as vezes nos deixam inseguros. Mas qual seria a graça da vida se não fosse todo esse turbilhão de emoção?

 

A medicina é linda, mas desafiadora. 

Você é meu desafio atual. Um lindo desafio, vamos fazer de tudo para você crescer feliz e saudável. Mês a mês, um dia por vez. 

 

Da sua pediatra,
Dra Isabela Forni

Theo,

Theo, 

Hoje na consulta você fez "birra" porque queria pegar todos os palitinhos e nós não deixamos. Por sorte, esse era um dos principais motivos que seus pais vieram me procurar e foi lindo ver o quanto que você e eles estavam abertos para aprender. 

 

Alguns chamam essa fase de "terrible two" outros de "adolescência da infância", eu gosto simplesmente de falar que são vocês, crianças, tendo sentimentos que até então desconheciam e ainda não aprenderam a lidar com eles. 
 

Sim, é difícil sentir frustração, sentir que não estamos no controle das coisas, querer um sim e só ter um não... e sim era muito mais facil eu ter te dado o que você queria, você ficaria feliz e a "birra" não teria existido, mas como você aprenderia a lidar com todos esses novos sentimentos? Quando que processaria tudo isso? 

O não é muito positivo Theo, acredite em nós. 

Você terá sempre o carinho e o amor do seus pais para te entender e te explicar que é genuíno sentir o que sentiu, mas iremos juntos aprender a lidar melhor com esses novos-sentimentos, porque a vida é assim Theo, hoje são brinquedos, no futuro serão coisas maiores.

E a gente não pára nunca de crescer e aprender. 

Da sua pediatra,
Dra Isabela Forni

Miguel,

Miguel, 

Hoje eu tive o privilégio de conhecer o seu mundo, e digo privilegio porque ele é lindo. Organizado, não gosta de barulho ou das coisas fora do lugar, tem um dialeto único, gosta de carrinho e de cantar parabéns. Ele é um mundo azul. 

Mas sabe Miguel o que falta nesse mundo azul lindo? Acreditarem. 

 

Acreditarem no potencial que ele tem. Acreditarem que pode sim ser mais difícil de aprender, mas que ensinando com calma e da melhor forma você consegue.
 

Acreditarem que apesar de trabalho, muitas vezes cansativo e desgastante, todo o investimento fisico e emocional tem um enorme retorno, mesmo muitas pessoas falando que não.

Acreditarem assim como sua mãe acredita em você.

É, isso falta nesse mundo azul.

Obrigada por ter me permitido conhecer um pouco mais e por me fazer sempre lembrar que precisamos acreditar: nos outros e em nós mesmos, principalmente.

Da sua pediatra,
Dra Isabela Forni

Sobre o projeto

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No dia a dia as minhas horas são preenchidas pelos 

atendimentos como pediatra: 

as crianças que eu examino,

as famílias que eu converso,

as brincadeiras que eu brinco. 

 

É sempre uma troca, um aprendizado, um novo olhar, sempre mudando, sempre aprendendo e transformando, 

como em um caleidoscópio.

 

Então da junção do prazer pela escrita e do amor pela pediatria, nasceu o "Caleidoscópio Pediátrico" - um projeto para falar um pouco dessa visão caleidoscópica da infância, caminhando lado a lado do consultório e crescendo junto com esses pequenos pacientes.

* Todos os nomes são fictícios, bem como as imagens não correspondem com o paciente em questão. 

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Sobre quem escreve

Sou pediatra de profissão, mas principalmente de coração. ​

Nunca me imaginei sendo outra coisa além disso, sabia desde pequena que era isso que queria para minha vida, uma coisa de prazer, de amor.

Carrego comigo que a pediatria deve ser mais do que o conhecimento médico, ela deve englobar todos os aspectos do mundo infantil, todo o seu imaginário, todo o seu processo criativo e lúdico.

 

Essa minha crença reflete no meu trabalho de diferentes formas: o blog com a parte informativa apresentada de forma mais leve, o consultório com a prática da pediatria de uma forma humanizada, e agora aqui no caleidoscópio, de uma forma mais reflexiva e filosófica. Todas buscando o que eu acredito como médica e como pessoa: uma medicina mais humana e uma pediatria mais lúdica.  

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Sobre quem fotografa

Oi, eu sou Camila e fotografo há mais de 10 anos. Sou mãe de três pequenos: o João Luca de 5 anos, a Felipa de 4 anos e a Martina que é um bebê. 

 

Tenho convicção que a fotografia faz parte da minha missão nesse mundo. Com ela quero registrar valores nos quais eu acredito e trazer mais beleza para este mundo. Amo o que eu faço e fotografo com amor. 

 

Espero poder registrar lindas histórias que sirvam de fonte de inspiração. 

A fotografia tem o poder de guardar momentos incríveis e resgatar valores que conduzem nossa vida. 

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Theo,

Theo,

Costumo brincar que seu pai é o mestre das fraldas. Na sua primeira consulta ele me explicou tim tim por tim tim sobre como fazia para te trocar, com uma técnica impecável para que você ficasse sempre sequinho e confortável, com nada apertando ou vazando.

 

Confesso que desde então não me atrevo a fechar a sua fralda na frente dele 🙈, é algo que vai além da pediatria rsrs.

 

E sabe, adoro brincar com ele sobre isso, e quando você crescer vai ser a primeira coisa que vou te contar. Por que sabe o que é tudo isso, Theo? É o amor sendo colocado nas pequenas-grandes coisas da sua vida, é um carinho lindo de pai, que você tem o privilégio de ter.

 

É Theo, você tem uma família linda, e pais que te amam muito.

 

Da sua pediatra,

Dra Isabela Forni

Caê,

Caê,

Hoje você chegou na consulta "numa paz de buda", como diria seus pais. 

Você passou por esses três primeiros meses de vida tentando entender, com uma certa dificuldade e inquietação, o que era o mundo. Tentando entender o porquê de ter saído daquele lugar quentinho e aconchegante da barriga da sua mãe para esse mundão louco. 
Mas foi só esperar o tempo fazer sua parte e mostrar que ele é louco sim, mas que é lindo também. Que é um mundão cheio de amor, cheio de pessoas que te querem bem, cheio de cores e sabores e cheio de novidades para desbravar. 

Hoje você nos ensinou que para tudo temos um tempo, e temos que respeitar esse tempo.

Um tempo para entender, para aceitar, para desculpar, para aproveitar, para enfim... ficar em paz.

As vezes temos muita pressa. 
Tudo ficará bem.

 

Da sua pediatra,
Dra Isabela Forni

Tanny,

Tanny.

Se envolver.

 

Confesso, uma questão difícil na minha prática como pediatra. A gente vive um turbilhão de emoções no nosso dia a dia, medo, esperança, tristeza, alegria... 

Nos deparamos muitas vezes com familiares, pais, irmãos passando pelos momentos mais difíceis da vida, e nos deparamos com nós mesmos, com os sentimentos que isso nos gera e com a responsabilidade que nos é dada.

 

Aí a gente tenta fazer malabarismos com nossos sentimentos e não levar tudo para casa, tenta não se envolver... mas quando a gente vê, já foi... Já estamos envolvidos, com todo o coração.

E sim, me envolvi por completo com essa pequena-grande pessoa que você foi.

E sim, foi com você que aprendi a me envolver com meus pacientes da forma mais pura e gratificante - vibrando com as conquistas e compartilhando a tristeza nos momentos difíceis - me envolvendo, me equilibrando, me aprendendo, me ensinando.

 

Sabe Tanny, existe uma tendência de engatarmos a primeira marcha na vida e seguir reto: seguir reto no trabalho, na rotina, na natureza, nas pessoas, no dia a dia. Deixamos de nos envolver porque isso demanda dedicação e faz um barulhão com nossos sentimentos, e às vezes é bem difícil fazer esse malabarismo sem deixar o chapéu cair.

 

Então hoje, desejo que continuemos nos envolvendo, seja lá com o que for, mas que a gente tenha sempre algo para se descobrir, se aprender,

 

Se envolver.

 

Da sua pediatra,

Dra Isabela Forni

Lembrar de sorrir

Léo,

Hoje no breve intervalo de tempo entre te pesar, tirar a sua fralda e colocar outra, o estrago tava feito: Você ficou dos pés à cabeça molhado de xixi e com cocô para tudo quanto é lado.

 

Não sabíamos se a gente ria, se chorava, se pegava um pano, se pegava uma toalha, aqueles segundos de tentar conter o caos, que no fim, já estava feito.

 

E sabe o que você fez? Balançou as perninhas e riu. Riu de tudo. E então eu e sua mãe resolvemos cair na gargalhada também.

 

Sabe Léo, a vida às vezes é assim. Muitas vezes nos sentimos no meio do caos, não conseguimos tomar atitudes e ficamos paralisados ou ficamos tentando conter o que já não dá para ser contido. Mas ai vem alguém e nos lembra que a vida continua bela, que temos vários outros motivos para sorrir e que com calma e paciência as coisas se resolvem, principalmente se encararmos de forma leve e com amor.

 

E assim a vida seguiu: eu voltei para casa e vocês foram ter uma noite gostosa até o rodízio da sua mãe acabar.

 

Obrigada por me lembrar de sorrir.

 

 

Da sua pediatra,

Dra. Isabela Forni

Que venha a vida

Flá,

Vem o susto. Vem o medo. Vem a notícia. Vem o diagnóstico. Vem o choro. Vem a luta:

Vem a cirurgia, a vermelha, a branca. Vem o cansaço. Vem os raios. Vem o fim. 

Hoje foi o último dia do seu tratamento.
Hoje veio a vitória. 
Hoje você venceu uma grande batalha da forma mais linda que eu jamais imaginei ver.

E foi um enorme privilégio acompanhar. 

Que venha a vida.

Da sua amiga médica,

Bela

Alice,

Alice, hoje você teve medo.

 

A gente não se conhecia, seus pais não haviam falado aonde você ia e meu consultório não da nenhuma dica de ser um ambiente médico, além disso, nem jaleco eu uso, mas mesmo assim, você me olhou e chorou, me olhou e teve medo. 

 

Mas sabe Alice, não achei ruim... medo é uma coisa boa, uma vida sem medo é perigosa, uma vida sem medo fica com um pé na imprudência e na inconsequência, o mais difícil e desafiador disso tudo é acharmos o equilíbrio. O equilíbrio de analisarmos a situação e refletirmos: esse medo é um "medo bom" ou um "medo ruim"? Ele está me impedindo de vivenciar um momento que poderia ser bom? Ou de fato ele está me protegendo?

 

Hoje você conseguiu achar esse equilíbrio e você venceu. Com a ajuda dos seus pais, logo percebeu que ali você podia brincar... e aos poucos esse medo foi se transformando em diversão. Foi uma linda transformação.

 

Desejo Alice que você sempre ache esse equilíbrio e que o medo não te impeça nunca de se divertir, mas quando ele vier, que você alguém para te dar a mão e falar "tá tudo bem" e seguir em frente. 

 

Da sua pediatra,

Dra Isabela Forni

Antônio,

Antônio, hoje você veio na sua terceira consulta, estava completando 3 meses de vida e enquanto eu te examinava percebi uma das coisas que você mais gosta de fazer. 

 

Sabe o que é? Olhar.

Você não imagina a curiosidade com a que você olha para as coisas ao seu redor. Olha querendo saber como funciona, olha querendo aprender, olha como quem ainda nunca viu nada igual, mesmo sendo, aos nossos olhos de adulto, a mesma coisa. 

 

Quando será que foi que perdemos esse olhar, Antônio? A vida adulta as vezes é um pouco sem graça, a gente enxerga e não olha, a gente vê mas não absorve, as coisas passam…

Para olhar é preciso ter coragem e o coração aberto, mas a gente cresce e vai perdendo isso.

 

Você não tem medo, desbrava cada cor, cada movimento, cada detalhe.  

 

Não perca nunca isso Antônio, você verá um mundo diferente de nós.

Da sua pediatra,

Dra Isabela Forni

Helena,

Helena, hoje foi sua primeira consulta com o pediatra. Você tem 8 dias de vida e  dormiu a consulta toda, não se importou com nada que estava acontecendo ao  seu redor… E sabe por que carregava tanta tranquilidade? Porque você estava envolta de amor. Envolta de uma coisa que você já ama, mas ainda não sabe muito bem o que é: a sua família.

Existem pessoas aqui no mundo que te amam de uma forma inexplicável.

Existe seus pais que a cada som que você emite, os corações deles batem mais forte.

Existe sua avó que não vê a hora de você crescer para poder passar as tardes na casa dela passeando pelo jardim e fazendo gostosuras na cozinha.

Existe seu irmão Helena, que desejou você de presente de Natal e não via a hora de você chegar para te encher de beijo.

 

Helena, a sua família é linda e ela estará sempre com você, sempre que precisar. 

Não se esqueça nunca disso, então eu estou te falando desde seus 8 dias de vida e repetirei sempre: essa será sempre a sua maior riqueza.

Da sua pediatra,

Dra Isabela Forni

Caleidoscópio Pediátrico

"Sempre me encantei com esse objeto. Não só quando criança, mas principalmente quando virei adulta. Para mim ele diz muito sobre a vida, a começar pelo mistério que nos transmite: Só quem o segura sabe o que está sendo refletido e o que se está se formando. Os outros, por mais curiosos e atentos, não conseguem ver ou sentir, o espaço permite apenas um olhar. 

 

Após entrar nesse pequeno mundo devemos apontá-lo para a luz, porque na sombra as cores são mortas e é só na luz que elas ganham o brilho merecido e tornam-se vivas. 

 

Agora repare, vá rodando bem de leve.... as pedrinhas logo se misturam e formam uma nova imagem, diferente da passada e diferente da que se formará em seguida. E não importa o quanto você tente, uma imagem nunca será igual a outra, o momento daquela é único e não volta mais. 

As imagens espalham-se pelo objeto em cada pequeno toque que ousamos dar, e lá está...novas cores, novos quadros...Ações refletidas nos espelhos que o cercam, instantaneamente, decompondo e transformando. 

É, nunca achei que fosse apenas um brinquedo..." 

 

Escrevi esse texto quando comecei meu primeiro blog, em 2010, acabei parando de escrever por lá quando comecei com o blog do Eludicar | Cuidado à criança, mas me deparei sentindo falta de escrever livremente, de filosofar, de criar com o coração e não só com os tópicos de medicina.

No dia a dia as minhas horas são preenchidas pelos  atendimentos como pediatra: as crianças que eu examino, as famílias que eu converso, as brincadeiras que eu brinco. 

É sempre uma troca, um aprendizado, um novo olhar, sempre mudando, sempre aprendendo e transformando, como em um caleidoscópio.

 

Então da junção do prazer e saudade pela escrita e do amor pela pediatria, nasceu o "Caleidoscópio Pediátrico" - um projeto para falar um pouco dessa visão caleidoscópica da infância, caminhando lado a lado do consultório e crescendo junto com esses pequenos pacientes.

* Todos os nomes são fictícios, bem como as imagens não correspondem com o paciente em questão.